quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Rap contra o genocídio da juventude preta - Coletânea Reaja Vol 1


A Campanha Reaja ou será mort@ é uma articulação de movimentos e comunidades de negros e negras da capital e interior do estado da Bahia, articulada nacionalmente e com organizações que lutam contra a brutalidade policial, pela causa antiprisional e pela reparação aos familiares de vítimas do Estado (execuções sumárias e extrajudiciais) e dos esquadrões da morte, milícias e grupos de extermínio.

A campanha surge no ano de 2005, em um contexto de governo ligado a um grupo político que há décadas dominava os recursos financeiros, o sistema de justiça, e os meios de produção e comunicação na Bahia. Este mesmo governo tinha no estado penal e no racismo, fundamento para uma política de genocídio caracterizada pelas mortes de milhares de jovens negros desovados como animais às margens de Salvador e Região Metropolitana.

Dentro desta conjuntura, resolvemos fazer uma articulação entres nossas comunidades e os movimentos sociais negros para politizar nossas mortes, colocar em evidência a brutalidade policial, a seletividade do sistema de justiça criminal que nos tinha - e ainda tem - como bandidos padrão. Este mesmo Estado genocida vê na cor de nossa pele, nossa condição econômica e de moradia, nossa herança ancestral e pertencimento racial, as etiquetas de “inimigos a serem combatidos”.

Em 2012, o atual governo do estado continua exercendo as mesmas práticas genocidas. Ainda estamos assistindo os corpos de nossos familiares tombando nas ruas. A eleição de um governo democrático popular, que muitos de nós depositamos nossas esperanças, demonstra que o projeto da esquerda branca tem para a população negra, em nada se difere do projeto da direita convencional. Entendemos que o racismo é estrutural da sociedade baiana e brasileira, está para além das conjunturas políticas. Diante disso, avaliamos que o que nos resta é tomar as ruas, e tomamos.

A campanha reaja ou será mort@ não é uma ONG, não tem nenhuma vinculação partidária, nosso único compromisso é com a vida. (Texto do Site Reaja nas ruas)

01 - Hamilton Borges - Ira
O2 - Aganju/Us Pior da Turma - Us Kamisa Preta
03 - Maus Elementos - Verão Passado
04 - Mirapotira e Cintia Savoli - Sobrevivente da Rua
05 - Parenética - Reaja ou Será Morto
06 - Tipo A - A Cruz Apunhalada
07 - 16 Beats - Uhuru
08 - Militância Poética - (Re) Ação
09 - Hamilton Borges - Alagados

Curta Metragem: Meu amigo Nietzsche

O curta-metragem brasileiro Meu Amigo Nietzsche mostra uma maneira sarcástica e irresistivelmente divertida de abordar o analfabetismo funcional e a síndrome crônica que abate a educação no Brasil. Crítico às instituições formadoras e conservadoras da sociedade brasileira – a escola, a família e a igreja -, o filme de Fáuston da Silva conta a guinada do menino Lucas, que encontra um exemplar de Assim Falou Zaratustra, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, no lixão e começa a lê-lo. 

Logo o curta se revela uma trama de maturação, pois Lucas, antes considerado um “péssimo aluno”, realmente devora o livro e passa a dominar conceitos, a falar bonito e a expor raciocínios exuberantes. Mas, ao invés de colher admiração, acaba assustando sua mãe e sua professora, agora aflitas na tentativa de diagnosticar o mal que atormenta o garoto: para a mãe, aquilo é coisa do demônio e só a igreja o salvará; para a professora, é o surgimento de uma potencial liderança nociva.

Feito a partir de recursos evidentemente limitados, Meu Amigo Nietzsche é um sopro de autenticidade se considerarmos que a maioria dos filmes sobre a periferia (o curta se passa na Cidada Estrutural, periferia do Distrito Federal) assinala a violência como protagonista na denúncia da desigualdade social. Ao apontar sua câmera para a educação e tratar do tema com humor e muita fluência narrativa, Fáuston já se diferencia e conquista a plateia.

O sucesso da abordagem vem acumulando prêmios, com boas passagens pelo Festival de Brasília e pelo Clermont-Ferrand, tradicional festival francês dedicado aos curtas-metragens, onde Meu Amigo Nietzsche faturou o prêmio do público e o de melhor comédia da competição. A obra cria expectativa sobre o nome de Fáuston e sugere que o cinema do Distrito Federal, que recentemente nos trouxe o ótimo Branco Sai Preto Fica, vive um bom momento. (Texto do Site Cinefestivais)

Kamau lança novo som - Contra

Em tempos em que tudo gera debates intermináveis...Kamau lança sua nova música Contra. Falando sobre a importância se manter o respeito a opiniões contrárias a sua.

Confira mixtape com samplers de J Dilla mixada por ele mesmo - Back to the Crib

Quem curte aquele rap de qualidade, tá ligado em quem é J Dilla, dispensa apresentações.

Produtor daqueles que os beats marcam a história...nessa mixtape você pode conferir uma mixagem feita por ele mesmo, com os samplers utilizados por ele.

Com certeza você reconhecerá vários clássicos do Rap ao ouvir, são 46 minutos e 18 segundos que com certeza valeram muito a pena, e com certeza você não vai ouvir uma vez só!


Abaixo a Tracklist

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Thiago ElNinõ lança o EP: Filhos de um Deus que dança


O rapper Thiago El Ninõ acaba de lançar seu EP intitulado "Filhos de um Deus que dança.

Com 4 faixas o rapper mostra toda força de suas rimas, uma celebração da cultura negra, mostrando que apesar de toda as ideias que sempre colocaram nossa cultura em segundo plano, acreditamos em nossos orixás e sabemos o quanto isso nos fortalece.

Aqui no blog já fizemos um post sobre o rapper, falando um pouco de seu trabalho e dois clipes, um desses está no EP, a música Diáspora (Clique aqui para acessar).

Lewis Parker - Release The Stress


Torae - Get Down (Remix) Ft Freeway & Styles P


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Curso on line - Feminismo Negro no Brasil: Lélia Gonzales e Beatriz Nascimento

O Coletivo Cultural Di Jejê tráz um curso sobre essas duas importantes intelectuais negras, CLIQUE NA IMAGEM para fazer sua inscrição!!!!


Ambas, são duas pesquisadoras brasileiras e intelectuais importantissimas para o avanço do campo sobre a mulher negra em nosso pais.

Lelia Gonzales, criou o conceito de feminismo afrolatino: um dialogo entre mulheres negras e latinas do continente, pautando o pan africanismo como saida para a luta da diaspora negra na america latina.

Beatriz nascimento, pesquisou sobre os quilombos, e trouxe muitos elementos para pensarmos a organização e articulação das mulheres negras como lideranças importantíssimas nesses espaços.
Juntas com Clóvis Moura, ambas são referencias muito importante para pensarmos sobre a comunidade africana da diáspora em nosso pais.

Curso aberto a todas e todos interessadxs!

Todos e todas são bem vindos!

Serviço: Curso totalmente on line (edu.kilombagem.net.br)

Metodologia: filmes, textos, fóruns de debates, atividades on line, produção textual. O material fica disponível por 30 dias e você acessa dentro da sua rotina.

Duração: 30 dias (de 19 de Agosto a 28 de Setembro)

Certificação: 20 horas

Ementa: Módulo 1 - Ori ou a origem (Beatriz Nascimento)
Módulo 2 - Os espaços negros de resistência: quilombos e terreiros de candomblé (Beatriz Nascimento)
Módulo 3 - As mulheres negras no quilombo e nos terreiros de candomblé (Betriz Nascimento)
Módulo 4 - Ser negro, ser negra (Lélia Gonzalez)
Módulo 5 - Feminismo Negro (Lélia Gonzalez)
Módulo 6 - Feminismo afrolatino e a unidade na luta panafricanista (Lélia Gonzalez)
Avaliação Institucional - os participantes realizam a avaliação do curso

Bibliografia: A categoria político-cultural de amefricanidade.” Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro (92/93): 69-82, jan./jun. 1988.
As amefricanas do Brasil e sua militância.” Maioria Falante. (7): 5, maio/jun. 1988.
Por um feminismo afrolatinoamericano.” Revista Isis Internacional. (8), out. 1988.
A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social.” Raça e Classe. (5): 2, nov./dez. 1988.
Lugar de negro (com Carlos Hasenbalg). Rio de Janeiro, Marco Zero, 1982. 115p. p. 9-66. (Coleção 2 Pontos, 3.).
Documentário Ori (Beatriz Nascimento)
Eu sou atlantica (Beatriz Nascimento)
Materiais do arquivo pessoal de Beatriz Nascimento disponíveis no Arquivo Nacional

Projeto Bolacha no Prato apresenta: APROXIMAÇÕES

 
O Projeto BOLACHA NO PRATO atenciosamente apresenta: APROXIMAÇÕES.

Requintada set list, mixada ao vivo 100% em vinil, para ouvintes sofisticados.
A música negra da diáspora possui riqueza sonora incontestável. Entre tantos estilos, destacamos o Funk, o Soul e o Jazz. Esta tríade fornece o néctar sonoro para a produção e rearranjo de variados gêneros, tais como afrobeat; rap; disco music; house; D&B e, porque não, MPB, em sua vertente denominada Brega. De músicos independentes a profissionais da indústria; da referência à reverência através de obras sampleadas, o especial APROXIMAÇÕES leva a você o dialogo entre estas sonoridades. Ritmos, harmonias e melodias, de musicalidades de diversas partes, através de encontros incríveis: Bartô Galeno e The Expression, Tim Maia e Amy Winehouse, Fela Kuti e Jorge Ben, Hypnotic Brass Ensemble e Olodum, Fagner e José Augusto, Manu Dibango e Guelewar Band of Banjul, entre outros.

Você é nossa convidada especial.
Você é nosso convidado especial.

Para maiores informações visite a página do evento no Facebook

Freeway - Primates


Quan - All on him feat. Pusha T


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Novo vídeo Quebrada Groove Convida com Odisseia das Flores

O grupo de rap Odisseia das Flores é formado por Jô Maloupas, Chai, Letícia, que desde 2008 focam seu trabalho na luta pela valorização da mulher na sociedade. O grupo, que possui originalidade e protesto como postura principal, vem trazendo à tona problemas do cotidiano e mostra também as dificuldades de se trabalhar em um espaço predominantemente masculino, deixando clara principalmente a resistência feminina. 

Em 2010 conheceram DJ Dog que já passou por vários grupos conceituados de SP, o mesmo com sua experiência de mais de 15 anos no Rap Nacional, chega para somar com suas ideias inovadoras deixando esse trabalho mais dinâmico e original. As integrantes Jô, Chai e Letícia compõem e interpretam suas músicas, com influências diversas, do Rap, Reggae, samba, capoeira, Maracatu, Blues e MPB. Odisseia das Flores participa e realiza trabalhos sociais voltados para as comunidades da periferia de São Paulo. Atuando em eventos culturais a maioria feita por coletivos independentes das periferias, atividades em ONG’s e Associações, oficinas de M’C, palestras, debates e a elaboração de projetos sociais e culturais, casas de shows, eventos de rua entre outras celebrações.


Quebrada Groove Convida - Odisseia Das Flores Part. Vanice Deise
Artista: Odisseia Das Flores
Músicas: Bolei Um, Bob No Rádio
Produção do Beat: BASE Mc
Letra: Jô Maloupas, Leticia Arruda ,Chai Odisseiana & Vanice Deise
Participação Especial: Vanice Deise

Curso: As mulheres negras no candomblé

A noção de que o candomblé é central para a manutenção, preservação e permanência da memória negra no Brasil é fundamental.

Nesse universo marcado por tradições e costumes, as mulheres são centrais: as rezas, os saberes, os banhos, os alimentos, os segredos são passados de geração a geração por elas.
Esse saber politico, histórico, ancestral é o nosso principal modelo de feminismo negro: a mulher como centro das ações, ao lados dos homens, na preservação de nossa identidade negra.

Nesse curso, que o Coletivo Di Jejê está te convidando, queremos discutir a figura feminina e sua importância no contexto dos terreios de candomblé e na organização politica da vida cotididiana do negro no pós escravidão.

Você já se perguntou o que é o candomblé e o por quê as mulheres são tão importantes nesse espaço? E o quanto devemos aos terreiros, a manutenção e a memória negra em nosso país?
E ai, vamos fazer esse debate?
Esperamos você!

Quando: 28 de Agosto
Onde: Casa Comunitária Di Jejê
Quanto: 50 reais (alimentação e certificado incluso)
Das 13hs as 17hs
25 vagas (inscrição obrigatória até dia 26 de Agosto)

Mediadora: Profª Mestra Jaque Conceição

Para mais informações visite a página do coletivo



Pagamento via depósito/transferência
Banco do Brasil
Agência: 4307-9
Conta Corrente: 5680-4
Valor: 50,00
Favorecida: Jaqueline Conceição da Silva
CPF: 339.747.838-30

Mais informações: 11 9 4468 1000
jaquec@hotmail.com

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Se liga ai nos novos cursos do Coletivo Cultural Di Jejê!!!

Curso: Feminismo Negro - Lélia Gonzales e Beatriz Nascimento (Evento Facebook)


No mês de Junho oferecemos presencialmente a primeira parte do curso A história do Feminismo Negro no Brasil. 

Na primeira parte trabalhamos com algumas categorias e conceitos que se articulam no campo do que se denomina feminismo negro.

Na segunda parte vamos apresentar o pensamento de duas autoras: Lelia Gonzales e Beatriz Nascimento. 

Ambas, são pesquisadoras brasileiras e intelectuais importantissimas para o avanço do campo de estudo sobre a mulher negra em nosso pais.

Lelia Gonzales, criou o conceito de feminismo afrolatino: um dialogo entre mulheres negras e latinas do continente, pautando o pan africanismo como saida para a luta da diaspora negra na america latina.

Beatriz nascimento, pesquisou sobre os quilombos, e trouxe muitos elementos para pensarmos a organização e articulação das mulheres negras como lideranças importantissimas nesses espaços.

Juntas com Clóvis Moura, ambas são referencias muito importante para pensarmos sobre a comunidade africana da diaspora em nosso pais.

Curso aberto a todas e todos interessadxs!

Todos e todas são bem vindos!

Data: 13 de Agosto de 2016

Carga Horária: 08 horas - com certificação

Modalide: Presencial - Inscrição Obrigatória
Valor: 80,00



Para pagamento via depósito ou transferência
Banco do Brasil
Agência: 4307-9
Conta Corrente: 5680-4
CPF: 339.747.838-30
Favorecido: Jaqueline Conceição da Silva
Valor: 80 reais

Curso: A história da diáspora africana no Brasil: a organização quilombola (Evento Facebook)


Relembrando o Agosto Negro, mês em que George Jackson foi assassinado na California nos Estados Unidos, o coletivo Di JeJê convida a todos e todas para a primeira edição do curso sobre a HistÓria da diaspora africana no Brasil.

Ao total serão 4 encontros mensais, cada mês com um tema especifico.
Para nosso primeiro encontro vamos convidar Nando Comunista do Coletivo de Esquerda Força Ativa, E o eixo tematico que ele abordará são as experiêncas quilombolas no Brasil durante a escravidão negra.

Data: 10 de Setembro
Das 10hs as 18hs

Mediador: Professor de Sociologia e Mestrando em Gestão de Práticas Educativas, militanjte do Movimento Negro e do Movimento Hip Hop Nando Comunista

Valor: 60,00
- INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - 




Pagamento via transação bancária:
Banco do Brasil
Agência: 4307-9
Conta Corrente: 5680-4
CPF: 339.747.838-30
Favorecido: Jaqueline Conceição da Silva
Valor: 60 reais (incluso alimentação, textos e crtificado).

Mais informações: e-mail - jaquec@hotmail.com
11 9 4468 1000

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Parabéns ao DJ Kl Jay

Hoje,10 de Agosto é aniversário do DJ Kl Jay,Racionais Mc's, o Blog Rap e Filosofia parabeniza esse mestre, que quando está em frente a um toca discos faz mágica. Posto aqui a performance da Fita Mixada Rotação 33. Daqueles vídeos que não enjoamos de ver!!!

Ouça o grupo de Rap angolano Fat Soldiers com a mixtape Sobreviventes

Nas milhares de postagens diárias que passam pelo Facebook, vi o clipe da música Eu Recuso-me, do grupo Fat Soldiers,como gostei fui procurar mais informações sobre o grupo, encontrei essa mixtape e ainda mais um clipe...confira abaixo as informações e os clipes .


Grupo de rap formado por 5 elementos residentes numa das Zonas periféricas da cidade Luanda nomeadamente “BOAVISTA”, o grupo começou a dar os seus primeiros passos no Hip Hop no ano de 2003, quando Soldier V (Vanderson João Tavares Cusseba), Mp (Daniel Mateus Gaspar), e Timomy (Timóteo Mateus Gaspar ) com algumas influências de rappers nacionais e internacionais começaram como uma brincadeira a fazer  Freestyle no bairro e nas suas respectivas escolas, e sentiram que levavam jeito para a coisa. 

O tempo foi passando e eles foram aperfeiçoando o talento que ostentavam, até que um dia, decidiram unir-se e formar um grupo denominado Fusão Sangrenta, no início focado apenas no improviso o grupo destacou-se num programa de Freestyle realizado no município da Ingombota, denominado Street Rompimento, e com isto foi ganhando popularidade naquele município. No entanto o grupo não ficou por ai, começaram também a compor as suas primeiras letras e viram-se cada vez mais identificados com aquilo, até que um dia decidiram gravar a sua primeira música, no início ainda sem muita qualidade ou quase sem nenhuma qualidade, musica foi gravada em um estúdio caseiro vulgo (Home Studio) pelo dj Carcaça e a música chama-se Estamos no Game. 

Depois disso foram surgindo novas ideias e passamos a compor ainda mais letras, letras estas que baseavam-se nos factos que ocorriam na nas zonas periféricas de Luanda. Depois juntaram-se ao grupo Lávio(Flávio Alberto) e Ac (Gervásio Sanches) que deram uma contribuição muito importante ao grupo, que depois dai decidiu então criar o seu próprio estúdio independente para passar a fazer as suas gravações. Juntou-se ainda a nós Amadeu Benoite também conhecido como Black D que já tinha uma certa experiência com a produção musical e passou a ser o produtor principal do grupo, acompanhado pelos outros elementos do grupo. O grupo conta já com uma Mixtape no mercado intitulada Mentes de Rua que esta disponível desde Dezembro de 2010 e tem em perspectiva imediata o lançamento de mais uma Mixtape Com o titulo Versos Negros e o álbum Vai em Frente Nunca Para. 

(Texto da extraído da Página Oficial do Grupo)  


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Hip Hop e a Filosofia

Livro de William Irwin - Editora Madras

Release: O Hip Hop é um gênero musical incompreendido por muitas pessoas. Recentemente, tem sido associado ao estilo ostensivo dos cantores de rap, que exibem seus carrões e correntes de ouro, ou ainda, a músicas depreciativas, principalmente em relação às mulheres. No entanto, poucos sabem que o Hip Hop tem suas raízes fixadas em uma forte ideologia de emancipação dos negros e na redução da desigualdade social decorrente do preconceito racial. Essa disparidade fez com que os autores Derrick Darby e Tommie Shelby examinassem mais detalhadamente esse gênero musical e, baseados em seus conhecimentos filosóficos, produzissem Hip Hop e a Filosofia - Rhyme 2 Reason, com o intuito de mostrar que, mesmo com a popularização do Hip Hop, ainda é possível extrair muito de sua essência africana e de seu conteúdo contestador. Por isso, este livro não é interessante apenas para aqueles que apreciam o Hip Hop, pois ele também ampliará seu conhecimento com relação a uma comunidade específica, e, por meio das analogias com filósofos como Nietzsche, Platão, Hobbes, Mill, entre outros, você irá se deparar com posições às vezes antagônicas, porém consistentes, sobre o comportamento do ser humano independentemente da sua raça.

Contra a Escola sem Partido



Texto de Renato Nucci Jr. no Blog Junho

No marco da multifacética reação conservadora em voga na sociedade brasileira atual, ganha corpo o movimento crismado de “Escola Sem Partido”. Seus defensores crêem piamente que a escola brasileira estaria funcionando como um aparelho ideológico de doutrinação comunista. E pior, estaria a serviço de um projeto partidário. De olho nesse filão de eleitores retrógrados, em vários estados e municípios legisladores têm apresentado projetos de lei cuja finalidade seria a de combater uma hipotética “doutrinação” praticada nas escolas sobre estudantes indefesos.

O movimento identifica nos professores o principal vetor dessa doutrinação, pois ao terem nos estudantes um público cativo, cujo aprendizado e progressão escolar depende da atenção aos conteúdos transmitidos, esses profissionais se encontrariam em uma posição privilegiada. Poderiam e, de acordo com os defensores do projeto, estariam a incutir na cabeça das crianças e adolescentes brasileiros, teorias atentatórias aos nossos bons valores. Urge, portanto, impor lei que proíba aos docentes, incluindo em alguns projetos de lei até mesmo pena de prisão, qualquer debate em sala de aula identificado com a difusão de idéias julgadas genericamente como sendo de esquerda ou filiadas a uma posição partidária específica em áreas como história, política, sociologia e questões de gênero. Defendem supostamente o pluralismo de idéias, mas querem na verdade amordaçar a difusão de um conhecimento crítico e transformador.

Querem os defensores do projeto, com a medida, impedir o fortalecimento de uma educação pública de qualidade, laica e capaz de produzir seres humanos críticos e conscientes. Temem a popularização de um conhecimento capaz de dotar as pessoas de condições mínimas para superar a ignorância e o atraso culturais. Os professores, grandes afetados pelo projeto, ver-se-iam censurados em trabalhar conteúdos críticos sobre a realidade brasileira. No mesmo sentido, a escola estaria de mãos atadas e inibida em combater no seu interior, condutas estudantis marcadas pelo machismo, racismo e homofobia. Nessa hipótese, um estudante que tenha cometido algumas dessas práticas contra um colega, não poderia ser repreendido pelo corpo docente e equipe pedagógica, pois sua família poderia considerar a medida como uma forma de assédio ideológico, pois contrariaria seus valores religiosos e morais. Na hipótese de que sejam aprovadas leis baseadas nos princípios do movimento “Escola Sem partido”, ficará a escola doravante desprovida de instrumentos pedagógicos de ensinar conteúdos com alto teor crítico.

Matérias de humanas, por exemplo, seriam as mais afetadas. Podemos imaginar como seria uma aula de História do Brasil que abordasse o regime de trabalho escravo, que vigorou entre nós por mais de 300 anos. O professor teria de tomar todos os cuidados para apresentar o tema com o máximo de neutralidade, de modo a não ferir as suscetibilidades político-ideológicas dos pais. No caso de uma família ser adepta da supremacia racial, se o professor condenar claramente a escravização, ela poderia acusar o docente e a direção escolar de estar praticando assédio ideológico contra seu filho, pois o conteúdo atentaria contra os sagrados valores familiares. O exemplo pode parecer exagerado, mas em tempos tão absurdos como os atuais, a situação é bem plausível. O mesmo poderia se passar em uma aula de ciências, caso o professor apresente teses evolucionistas em sala. Ofendidos em suas crenças, os pais poderiam exigir punição ao professor, ou no mínimo uma aula de ciência com a defesa de tese criacionista. Uma aula de literatura portuguesa poderia também ser alvo dessa influência retrógrada, pois imaginemos como uma família conservadora receberia a tarefa dada ao seu filho, de ler um livro como Dom Casmurro, do mestre Machado de Assis, cujo tema central é o adultério. Seria essa obra-prima de nossa literatura considerada pornografia barata por uma família conservadora?

Fica evidente que além dos claros limites impostos à compreensão crítica de nossa realidade, feita através de censura imposta aos docentes na abordagem de conteúdos de matérias, a escola também se veria limitada em seu papel fundamental de socializar as crianças e adolescentes em um universo bem mais amplo do que o do seu ambiente familiar. Temos, aqui, um aspecto pouco abordado sobre o movimento “Escola Sem Partido”, mas que reflete um desdobramento da ideologia neoliberal. Para esta, prevalece o princípio da privatização não apenas da economia, mas igualmente uma supremacia dos interesses individuais sobre os interesses coletivos. No limite, como sentenciou Margareth Thatcher, ao defender a destruição do Estado de Bem-Estar inglês, “Não existe essa coisa [de sociedade]. O que existe são homens e mulheres, indivíduos, e famílias”. Em suma, não há interesse nacional ou social, mas apenas interesses individuais e, no máximo, interesses familiares. Acima desse círculo de socialização nada existiria e não passaria de pura ficção.

Seria bom se as escolas brasileiras fossem capazes de gerar em escala industrial jovens com capacidade crítica sobre nossa realidade dispostos a transformá-la. Infelizmente, a qualidade de nossa educação, por culpa exclusiva da classe dominante brasileira, padece de problemas básicos como falta de infra-estrutura adequada, salas lotadas, baixíssimos salários pagos aos professores, pouca ou nenhuma valorização profissional e inclusive desvio de verbas como foi revelado recentemente no caso do dinheiro destinado à merenda escolar, em São Paulo. O resultado escandaloso desse descaso é o de estar se produzindo uma geração com baixo nível de apreensão dos conteúdos escolares e com graves dificuldades em leitura, escrita e operações matemáticas básicas.

Dados do IBGE apontam, em 2014, para uma taxa de analfabetismo de 8,3% para a população com 15 anos ou mais de idade[i]. O índice representa um universo significativo de 13 milhões de pessoas. De acordo com dados do Relatório de Monitoramente Global de Educação Para Todos, estamos entre os dez países que concentram o maior número de analfabetos adultos do mundo[ii]. Já a taxa de analfabetismo funcional, definido como a incapacidade de compreensão de textos simples, de acordo com dados do Observatório do PNE (Plano Nacional de Educação), atingia em 2015, 27% da população entre 15 e 64 anos[iii]. No Plano Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2012, num total de 65 países avaliados, o Brasil ficou em 55º lugar em leitura, 58º em matemática e 59º em ciências[iv].

Se vivêssemos realmente um cenário de doutrinação político-ideológica da juventude, já teríamos feito uma revolução em nosso país. Todavia, os dados acima demonstram uma situação bem distante dessa realidade. Ao contrário, a educação pública no Brasil, que nas palavras do professor Darcy Ribeiro não vive uma crise, mas padece do projeto das classes dominantes brasileiras destinados a mantê-la em estado de permanente sucateamento, vem sofrendo com a dificuldade em transmitir conhecimentos básicos aos jovens e as crianças. Todavia, os esforços ingentes dos profissionais da educação, bem como a luta de todo o povo por uma rede de escolas públicas de qualidade, foi capaz de torná-las dentro dos limites sabidamente conhecidos, um espaço de difusão de certo nível de conhecimento crítico de nossa realidade. É para varrer esses pequenos espaços conquistados que o movimento “Escola Sem Partido” se insurge.

Coincide esse movimento de querer impor censura ao conteúdo pedagógico das matérias, com a conclusão feita por frações da burguesia brasileira de atribuírem a culpa pela baixa produtividade do trabalhador a deficiências em sua formação escolar. O problema, na opinião desses “sábios”, seria contornado por uma reforma curricular cuja prioridade estaria centrada na aprendizagem de matérias científicas e aperfeiçoamento da escrita e leitura. Matérias de humanas como história e sociologia não seriam excluídas, mas sofreriam severa redução, perdendo importância. A proposta tem a simpatia de setores retrógrados da sociedade, pois consideram como desnecessária a presença dessas matérias nos currículos escolares. A escola deveria, na cabeça dessa gente, ser um mero centro de formação de força de trabalho apta a garantir a empregabilidade dos jovens.

Dessa forma, o movimento “Escola Sem Partido”, através da censura e da proibição na abordagem crítica de certos temas no interior do espaço escolar, pretende limitar a forma como conteúdos considerados suscetíveis a polêmica seriam apresentados. Pretendem, assim, pelo impedimento do debate em salas de aulas, eliminarem da formação escolar dos jovens trabalhadores qualquer traço de consciência reivindicativa, de respeito à diversidade e de uma cultura de direitos. Tencionam formar trabalhadoras e trabalhadores passivos e obedientes à exploração capitalista, além de pretender abolir do debate escolar qualquer problematização sobre questões de gênero.

Em suma, trata-se o movimento “Escola Sem Partido” de um esforço conservador por querer disseminar nas escolas, em nome da pluralidade de idéias, o obscurantismo e a ignorância intelectuais. Não pretende de forma alguma discutir problemas estruturas básicos da educação brasileira. Sua finalidade é a de querer impedir que a escola, mesmo sob uma formação social capitalista, aja como um instrumento de transformação de nossa realidade, formando sujeitos com algum nível de capacidade crítica. Pretendem, através da censura e da ameaça de punição aos professores, garantir que nas escolas prevaleçam apenas os valores e as idéias do partido daqueles que defendem a continuidade em nosso país da exploração desbragada e das diversas formas de opressão presentes em nossa sociedade: de classe, de gênero, étnica e regional.

Notas

[i] IBGE. Brasil em Síntese: Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade. 2016. Disponível em: http://bit.ly/2azZlP6.

[ii] Brasil está entre os dez países que concentram a maior parte do número de analfabetos. Carta Capital, 29 jan. 2014. Disponível em: http://bit.ly/2aOOu6G.

[iii] Alfabetização e alfabetismo funcional de jovens e adultos. Observatório do PNE. Disponível em: http://bit.ly/2aB9rWa.

[iv] No Brasil, 33 mil alunos farão provas para o “ranking mundial de educação”. G1, 07 mai. 2015. Disponível em: http://glo.bo/2aZNv6G.